16 de Novembro de 2009

Texto tenrinho

- E pensar que ainda somos desconhecidos!

- É com esse suspiro patético que explicas a fraude e o desamor?

- E tu, é assim que continuas a adiar-te para um futuro incerto?

- Que posso fazer senão adiar, se nunca me estás?

- Estou sempre, mesmo quando não estou ou não posso estar.

- Que saudades tinha dos teus delírios paranóicos e das tuas respostas vagas!

- Que saudades tinha de me lembrar do quanto me veneras!

- Se te fosse a dar ouvidos, há muito que teríamos perecido...

- Esqueces-te de que nunca houve um "nós"...

- E isso incomoda-te?

- Nada, absolutamente nada.

- Então não sei por que não és capaz de apenas estar, em silêncio.

- Vamos ter um filho?

- Claro que não!

- Às vezes detesto-te, detesto-te!

- Como se alguma coisa mudasse por te fazer um filho!

- Não percebes que podia mudar tudo?

- Percebo que não mudaria absolutamente nada.

- Percebo é que nunca deveria ter dito "Sim".

- Diz isso ao teu marido!

- O meu casamento não é para aqui chamado.

- O teu casamento é o nosso único e derradeiro elo, meu amor.

13 de Novembro de 2009

Estou em casa

Mas já não estou aqui.

5 de Novembro de 2009

Já demasiado ouvido, mas

O Jeff Buckley faz-me chorar. E questionar se estarei realmente preparada para a beleza do que (já) existe. A beleza etérea também dói, portanto. Dói-Bom, Muito-Bom, Melhor-Que-Tudo.

É oficial.

Mesmo quando pensava ser impossível, cada vez gosto mais de Vila do Conde.
É-me.
Sou-lhe.

25 de Outubro de 2009

Quando não (me) estás.

19 de Outubro de 2009

Ou é de mim...

... ou anda tudo (eu incluída) a tripar não sei bem com quê, quando o principal (ou mesmo único) defeito da vida é que passa demasiado depressa.

30 de Setembro de 2009

Correndo o risco de ser ignorante.

É sabido que uma das personagens que mais me apaixona é Sherlock Holmes, tanto que me dói o peito quando falo sobre ele. Chorei como uma madalena no episódio em que morreu, lançado do penhasco pelo infame Prof. Moriarty, tanto quanto na cena da crucificação de Jesus num filme de Páscoa, tinha eu 5 anos de idade.
Circula o boato de que Sherlock era viciado em cocaína. Agora pergunto: quão divino é preciso ser-se para, não obstante sermos personagens de ficção, lançarem sobre nós boatos e desconfianças?
Mais uma nota a ter em conta na oração da noite: queira deus que todos sejamos personagens de ficção e que se abata sobre nós a maldição da maledicência alheia.

É oficial.

Foi preciso tempo e muitos monólogos para saber que sou genuína e, não obstante, capaz de mentir na derradeira frase. Mentir ainda que inconscientemente, mentir para que um arguto subconsciente me lembre que chegou a hora de voltar à Terra. Nunca é tão clara a percepção de que já não esperamos nada como quando nos ouvimos dizer (coacção à parte) que esperamos alguma coisa. Reparamos no absurdo do nosso discurso, prosseguimos e afinal não é assim tão insuportável a dor da aterragem. Nalguns dias.

Mas viciei-me nos meus próprios vícios e então aconteceu:

Estou viciada em orquestras; estou viciada em (quase toda a) música tocada por orquestras e em músicos de orquestras; estou viciada nas partes do todo e no todo em si; estou viciada em violinos e já não me é possível viver sem eles, eu que sou antes de mais viciada em existir; estou viciada no Mezzo e na literatura (outra vez).
Estou, afinal, viciada em sentir, agora desta forma tão básica que são as notas e as palavras que outras mentes sonharam, assim como eu persisto sonhar, amanhecida pelo anoitecer.

Sou um animal de vícios e gosto deste novo vício.
Mas também sou viciada em questões, e pergunto-me que vício despontará depois deste novo vício.

24 de Setembro de 2009

Momento (único) de gabarolice

Adoro quando vou na rua e os automobilistas põem a cabeça de fora para ver melhor :>

14 de Setembro de 2009

b. sides ou o que poderia ser

As tuas mãos fogem, arrancam-se do teu corpo, e fogem até mim. Percorrem-me os poros, um a um. E, indiferente à rotação da Terra, nasce o desejo, ainda que na distância. Arrepio-me. Parece o fim, mas a nossa pele, antes una, abandona-se ao destino e nunca mais poderá ser a mesma.